GESTÃO DO CONHECIMENTO TÁCITO

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

Gestão do Conhecimento Tácito

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A Gestão do Conhecimento Tácito tem como objetivo final otimizar a transferência de conhecimento tácito e de tecnologia entre profissionais e suas organizações. Como consequência, ela tem impactos positivos na produtividade e qualidade do trabalho, na prevenção de acidentes, na curva de ramp-up em novos projetos, na melhoria de programas de qualificação e na diminuição de tempo de treinamento, além de aumento da sua eficácia.

Alguns exemplos de sua aplicação são:
(1) transferências internacionais de tecnologia;
(2) seleção, montagem e treinamento de equipes na etapa de pré-operação;
(3) treinamentos voltados para o desenvolvimento de conhecimento tácito;
(4) análises de acidentes e incidentes, com base no retorno da experiência;
(5) estabelecimento de uma cultura de "segurança pelo conhecimento tácito";
(6) terceirização e desenvolvimento de terceiros sem perda de qualidade; e
(7) preparação para futuro turn-over com menores perdas de conhecimento.

Segue abaixo uma apresentação suscinta e introdutória sobre o conceito de conhecimento tácito e sobre  o programa de pesquisa  em Gestão do Conhecimento Tácito desenvolvido no Departamento de Engenharia de Produção da UFMG. Nas demais abas acima encontram-se  informações sobre as vantagens do conhecimento tácito para as organizações, pesquisas em andamento e realizadas, cursos e palestras disponíveis, seleção de pessoas para fins de pesquisa e/ou realização de mestrado ou doutorado e bibliografia para os(as) interessados(as).


Resumo

Existem dois tipos básicos de conhecimento na literatura: o tácito e o dito “explícito”. O conhecimento explícito é aquele que é tido como passível de codificação em algo que possa ser utilizado por humanos ou máquinas. Exemplos são livros, manuais e procedimentos operacionais – em se tratando de humanos – ou algoritmos e programas computacionais – em se tratando de máquinas. O conhecimento tácito é aquele que advém da experiência humana em situações de trabalho e que não pode ser verbalizado ou colocado em regras que possam ser utilizadas, com sucesso, por pessoas inexperientes. Exemplos disso são a habilidade de fazer julgamentos técnicos e as habilidades físicas e sensoriais, tal como reconhecer se um processo produtivo está funcionando bem ou mal somente com base na coloração da fumaça que sai da planta industrial ou se um motor está com problemas após “escutá-lo” por meio de uma caneta encostada no ouvido do expert e no mancal do motor.

A existência desses dois tipos de conhecimento leva à possibilidade de se ter dois tipos de gestão, a gestão do conhecimento explícito e a gestão do conhecimento tácito. A gestão do conhecimento explícito é conhecida na literatura acadêmica, especialmente na área de Administração, somente como “Gestão do Conhecimento”. Seu foco é coletar, classificar e armazenar todo tipo de informação para disponibilizá-la por meio de “portais do conhecimento”, “intranets” e outras ferramentas informacionais. Nesse sentido, essa é uma área que se baseia intensamente em Tecnologias da Informação (TI) e que possui várias ferramentas desenvolvidas especificamente para a gestão da informação.

São dois os problemas e limitações da “Gestão do Conhecimento”. Primeiro, ela não dá conta de lidar com o conhecimento tácito por meio de ferramentas informacionais dada a natureza desse tipo de conhecimento. Segundo, qualquer tipo de conhecimento dito “explícito” depende de conhecimento tácito para ser utilizado de maneira correta por causa da “regressão das regras”, isto é, o fato de que “as regras não contêm as regras para sua própria aplicação” (Wittgenstein, 1976 [1953]). Isso significa que a pessoa tem que ser capaz de interpretar o que está escrito, julgar sua pertinência e aplicar a regra ou informação contida no documento ao problema em questão. Isto é o mesmo que dizer que peças de conhecimento explícito – livros, manuais e procedimentos operacionais – não são “explícitas” por si só. Ou, como disse Polanyi (1969: 144), “o conhecimento explícito precisa de ser tacitamente compreendido e aplicado. Assim sendo, todo conhecimento ou é tácito ou se apoia no conhecimento tácito. Um conhecimento totalmente explícito é impensável”.

A dificuldade de se pensar na gestão do conhecimento tácito pode ser verificada na completa ausência de metodologias desenvolvidas especificamente para esse fim, apesar da ampla discussão acadêmica sobre a importância desse tipo de conhecimento para as mais diversas áreas e organizações. Uma busca nas principais revistas internacionais relacionadas ao tema corrobora esse ponto. Como mostra a Tabela 1 abaixo, quando as expressões “tacit knowledge management [gestão do conhecimento tácito]” ou “managing tacit knowledge [gerenciando o conhecimento tácito]” são colocadas para se fazer a busca de artigos relacionados ao tema, o número de artigos que se apresenta é significativamente menor do que quando se coloca somente “knowledge management [gestão do conhecimento]” ou “managing knowledge [gerenciando o conhecimento]”. Além disso, a leitura dos 14 artigos que enaltecem a relevância de se gerir esse tipo de conhecimento mostra que eles não apresentam metodologias para tal ou, se o fazem, é dentro da ideia reducionista de conversão do conhecimento tácito em explícito.


Tabela 1 – Publicações em Gestão do Conhecimento

versus Gestão do Conhecimento Tácito*

Revistas Pesquisadas

Número de artigos sobre Gestão do Conhecimento no título, no resumo ou no texto

Número de artigos sobre Gestão do Conhecimento Tácito no título, no resumo ou no texto

Journal of Knowledge Management

1380

13

Knowledge Management

1334

1

Knowledge Management for Development Journal

150

0

Knowledge Management Research and Practice

573

0

Knowledge Management Review

23

0

 
TOTAL
 
3.460 14
* Dados coletados das versões online das revistas citadas em 08/04/2011.
 

A Gestão do Conhecimento Tácito constitui-se, assim, em um programa de pesquisa de ponta nos mundos acadêmico e empresarial, com amplo potencial de aplicação em problemas técnico-organizacionais e obtenção de resultados tangíveis. Seu objetivo é o desenvolvimento de metodologias práticas que possibilitem a otimização da transferência do conhecimento tácito entre profissionais, assim como a criação das condições para sua gênese e manutenção nas organizações. Com base em conceitos provenientes da Sociologia do Conhecimento Científico e Tecnológico e de pesquisas empíricas realizadas por mais de 15 anos, foi desenvolvido um modelo teórico que tem sido aplicado, testado e refinado em situações reais por meio da metodologia de pesquisa-ação. Tanto a lógica por detrás do modelo teórico utilizado como os resultados das metodologias desenvolvidas têm sido reconhecidos por profissionais e acadêmicos experientes, no Brasil e no exterior.